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18/09/2018 - Orientações

Como tratar e detectar o câncer de ovário mais cedo

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No corpo humano, a nobreza de um órgão não depende do seu tamanho. Basta pensar num par diminuto abrigado na pelve das mulheres. Os ovários produzem os hormônios femininos e os óvulos, ou seja, os ingredientes que garantem a maternidade e o perpetuar da nossa espécie. Só que, da mesma forma que seu bom funcionamento tem uma tremenda repercussão, se eles viram alvo de um câncer o estrago é enorme. Trata-se do tumor ginecológico com maior taxa de mortalidade. No ano passado, ele atingiu mais de 5 mil brasileiras. E a estimativa é que três quartos dos casos chegam ao consultório em estágio avançado, quando o mal já se espalhou.

O atraso no flagra da doença não se restringe à pequena dimensão das glândulas. O problema é que os primeiros sintomas se confundem facilmente com os de outras encrencas. Para ter ideia de como as manifestações desse câncer confundem a cabeça, um levantamento do governo australiano aponta que menos da metade das mulheres reconhece seus traços mais comuns, como aumento do volume no abdômen, sensação de bexiga cheia e dificuldade para evacuar. “Por vezes, a pessoa acha que tem uma desordem intestinal e demora a chegar ao ginecologista, que seria capaz de fazer o diagnóstico”, diz a oncologista Alessandra Morelle, do Hospital Moinhos de Ventos, em Porto Alegre.

No que ficar de olho, então, diante de um cenário tão propenso a pegadinhas? Que tal mirar os genes, ou melhor, sua família? “Não é exagero dizer que analisar o histórico familiar da paciente pode salvar uma vida”, crava o oncologista Stephen Stefani, do Hospital Mãe de Deus, também na capital gaúcha. Se a mãe, a avó ou uma irmã teve a doença, já sabe: atenção ao máximo. “Quando há casos na família, indicamos um mapeamento genético”, conta o oncologista Oren Smaletz, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Testes desse tipo acusam, por exemplo, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, que indicam alta possibilidade de desenvolver um câncer no ovário e nas mamas. E sinalizam a necessidade (ou não) de fazer um monitoramento frequente e até optar pela retirada preventiva das glândulas — caso da atriz Angelina Jolie, que corria um risco de 50% de sofrer com o mal.

Além da hereditariedade, o acaso também conspira a favor da doença. E, nesse ponto, o alerta apita para as mulheres na menopausa ou que passaram dos 50 anos. É que, a cada ovulação, forma-se uma pequena ruptura na parede do ovário. E essa alteração, com o passar do tempo, pode abrir caminho a um tumor. Por essa razão, a pílula anticoncepcional parece reduzir o risco do perigo. Como ela suprime a ovulação, apareceriam menos lesõezinhas capazes de evoluir para algo pior.

Como o checkup ginecológico convencional não costuma denunciar a doença no início, se a mulher reúne fatores de risco, a postura no consultório muda. O acompanhamento deve se tornar mais assíduo e o médico indica dois exames semestrais: o ultrassom transvaginal e a medição dos níveis da CA125, proteína cuja abundância no sangue indica maior probabilidade de os estragos acontecerem. “Ainda assim, os resultados nem sempre são precisos e o tumor pode progredir”, diz o oncologista Fernando Maluf, diretor do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, em São Paulo. Não é à toa que os cientistas quebram a cuca em busca de um método certeiro.

O fato de os exames atuais não garantirem ovários a salvo é justamente o que tem propulsionado, em uma parcela das mulheres com teste genético positivo, a realização de cirurgias para extirpar as glândulas e as tubas uterinas como precaução. Essa opção cobra muita conversa com o médico e não é recomendada para todas, mas… “Pode ser pertinente pensando na alta probabilidade de o tumor aparecer”, opina Maluf. Como na vida da atriz Angelina Jolie, que perdeu a mãe e a avó para o câncer.

Leia a matéria na integra: https://saude.abril.com.br/bem-estar/cancer-de-ovario-da-pra-podar-mais-cedo/

Fonte: Saúde.abril

URL: https://saude.abril.com.br/bem-estar/cancer-de-ovario-da-pra-podar-mais-cedo/